Uma inconsistência clássica na minha vida é a advinda de planos de ação para expectativas que tenho em relação a futuro, especialmente em termos profissionais. De uns tempos pra cá consegui chegar a uma área de interesse só, a um motivador apenas. Há três anos ainda tinha a vaga esperança de ser fotógrafo, ainda que o que me motivasse fosse o prazer de um certo rigor técnico, e não talento, trabalhava como diretor de arte e a adolescência e início de vida adulta às voltas com computadores estavam perdidos.
Naquele momento, sabia apenas que em um mês faria uma prova de admissão para o bacharelado em fotografia no Senac e cria que minha vida seguiria dali. E de fato seguiu, mas não pelos rumos delineados: no meio tempo encontrei minha esposa, mudei-me de Brasília para São Paulo e para o Rio e por fim retornei ao ramerrame que havia deixado em janeiro de 2004, cansado de uma carreira que até então via como limitada. Era necessário pagar as contas.
Eu não esperava encontrar, todavia, o interesse pela escovação de bits que me guiva lá pelos meus 15 anos. Tirei teias do pouco que sabia e desde então adquiri um gosto que às vezes me impressiona. E que também angustia. Gostar tanto de novo faz com que eu queira trilhar caminhos um tanto mais íngremes e perigosos quando se passa de uma certa idade.
O renascimento do prazer em me aprofundar traz aquelas dúvidas sobre o que fazer, e aí se sobressai a inconsistência nos planos: começo com um que repenso por dias a fio e se transforma em outro, que rui para dar espaço a mais um outro, até que me vejo fazendo nada. O meu SICP figura sobre a mesa branca que comprei com Bia uma tarde dessas, e que de tanto gosto, mas não consigo fazer nada com ele. Não me decido se me encafurno num curso universitário, mesmo que particular, e saio de lá com um papelito que me dê acesso às coisas que me interessam ou se apenas aproveito esse ímpeto para ser o melhor auto-didata possível. Estou engessado, no momento.
Há três anos eu seria fotógrafo em 2007. Profissional, encerrado em cliques e sombrinhas e smart sharpens. Em 2007 eu quero ser um bom pensador da computação, descambar pro mercado financeiro, e ser pai e legal com minha esposa. Ainda não sei como conciliar isso tudo. Que será que me aguarda em 2010?

